Sobre pênaltis e mídia

Amplamente exagerada por ter sido em um jogo decisivo e a favor do Corinthians, a jogada imprudente de Gil em Ronaldo é o assunto da semana, e, se o Corinthians for campeão, do campeonato, pela “mídia” esportiva brasileira.

Vivemos na época da politicagem e do politicamente correto, a ponto de todos criticarem a Ferrari por mandar o Alonso passar, mas ninguém criticar quando o Raikkonen abriu pro Massa passar na penúltima corrida de 2008, ou quando a situação contrária aconteceu em 2007, para o finlandês ser campeão do mundo. Ora, não tem “meio mal caráter”, ou algo é terminantemente proibido ou terminantemente liberado, não há porque se falar em abrir caminho apenas quando é a corrida que vale título. Ou pode sempre ou não pode nunca. Só no Brasil tem essa de “só roubar um pouquinho”.

Da mesma forma, não há como ser “pênalti que não deve ser marcado” apenas porque foi em um jogo decisivo. Cheguei a ouvir isso em um programa esportivo segunda a tarde: “Foi pênalti, mas pelo bem do campeonato o juiz não deveria ter marcado”.

No sábado a noite, mesmo corinthiano, quase choro, tamanha a emoção dos jogadores do Cruzeiro, “prejudicadissimos” no Pacaembu, e “comentaristas” que quase tiveram “piti” ao vivo, acusando o campeonato de estar comprado, que só há erros a favor do Corinthians e etc.

Alguns, na ânsia de tentarem “provar” que o Cruzeiro foi prejudicado, tiraram do fundo do baú um terceiro lance de “penalti pró-Cruzeiro” (sequer comentado por nenhum jogador), após os 2 penaltis reclamados no Thiago Ribeiro, infundadamente, serem desmentidos por todas as imagens. A alegação: “O pênalti do Atlético-MG contra o Palmeiras foi assim e o juiz marcou”. Sim, marcou, mas TODOS falaram que o juiz errou!!!

Outros tantos começaram a levantar a polêmica de “pênaltis à brasileira”. Assunto justo de ser discutido, no COMEÇO da temporada, com a força que a mídia tem, e não após um deles ser marcado, depois de dezenas deles já terem sido marcados no mesmo campeonato (vide Cruzeiro x Atlético-MG, muito menos pênalti, mas em nenhum momento pré-jogo desse sábado reclamado). Acho ridículo qualquer contato no Brasil ser falta, como aquele gol do Tevez anulado pela bandeirinha quase 72 horas após o jogo.

Na verdade eu nem acho que foi “pênalti à brasileira”. Ora, o jogador Gil está a quase 2 metros do Ronaldo, e na hora que ele sobe, tal qual um safety da NFL, ele joga seu corpo no “gordo”, e apenas no corpo, depois que ele já dominou a bola. Em nenhum momento houve “contato de jogo”, “disputa corpo a corpo” ou lance normal. Houve apenas burrice, e muita, do jogador cruzeirense. Assim como foi burro o zagueiro do Goiás, mas quem sabe não teria sido a “vítima”, como Gil foi, se o pênalti marcado não tivesse sido a favor do Fluminense, mas do Corinthians.

 

E por falar em momento, seria interessante que o Roger explicasse em qual momento ele viu o “esquema” que deixou implícito na entrevista de sábado e ontem o hoje desmentiu. “Eu sei como as coisas funcionam! A torcida empurra o time demais no Pacaembu…”. Sei… E o “indiozinho nas costas que, de vez em quando, sai com arco e flecha, com machadinha”, o que tem a dizer de tantos lances duvidosos pró-Cruzeiro ou contra o Corinthians visto também durante o campeonato? Disso falarei em um post a seguir.

Porque quando o mesmo Cruzeiro foi favorecido pelo mesmo árbitro no jogo contra o Atlético-MG não se levantou a bola de “pênaltis a brasileira”??? Porque só agora a mídia tem essa coragem? Pressão popular dos anti-corintianos, claro.

Pelo menos vi que almas inteligentes se salvaram. Juca Kfouri, um cara que particularmente não concordo com a maioria das opiniões, principalmente quando, por ser corintiano, emite opiniões mais contra o Corinthians do que se não o fosse, foi um deles. Nesse caso, falo de ocasiões em que há um erro contra o Corinthians e ele diz que não. Opiniões são opiniões, e temos que respeitá-las.

Foi interessante ouvir muita gente falar que “foi pênalti mas eu não marcaria”.

Marcelo Damato, em seu blog “Além do jogo” (http://blogs.lancenet.com.br/alemdojogo/), escreveu um post denominado “Onde está a dúvida?”. Suas palavras:

“Acho que enlouqueci, estou tendo alucinações ou sofri uma lavagem cerebral

Santos Deus! Mais pênalti do que isso!

Como alguém pode falar em choque normal?

Como pode haver “choque” entre um jogador parado e outro em movimento?

Como pode haver choque se um atinge o outro por trás?  essa não é a única prova. Não havia nem sequer a possibilidade de uma disputa de bola. Ronaldo estava entre a bola e o zagueiro Gil. E a bola não vinha para sua cabeça, ia para seu peito. E ele até matou a bola no peito. Era impossível para Gil alcançar a bola. Por isso deu um tranco proposital no Ronaldo para desequilibrá-lo.”

 

Já Mauro Cezar Pereira diz em seu blog (http://espnbrasil.terra.com.br/maurocezarpereira/): “Não tenho a intenção de convencer ninguém de nada, apenas defendo meu ponto de vista. Você pode discordar, claro. Eu respeito. Respeite o meu.” Será que ele respeitou algum ponto de vista diferente do dele quando “analisou” o jogo no SportsCenter de sábado???

Apenas para terminar esse parte de conferência do que a mídia anda dizendo, achei bem interessante Paulo Calçade (http://espnbrasil.terra.com.br/paulocalcade) apresentar a regra 12 e os três itens desrespeitados no mesmo, que caracterizam uma falta: a) saltar sobre um adversário; b) Dar um tranco em um adversário e c) Empurrar ou adversário. Ele encerra o post dizendo: “Resumindo: Gil não saltou sobre o adversário, não deu um tranco e nem empurrou? É isso?”

Eu fico brabo também, assim como o Cuca, quando vejo um trabalho indo para o ralo por causa de um “erro” de um juiz. Ou por ele não ser honesto quando tem uma casa lotada contra ele (vide final da Copa do Brasil e o pênalti não marcado em Acosta. Por amar minha vida, eu no lugar dele não marcaria, pois não iria querer ser morto na Ilha do Retiro). Então que seja feito um trabalho das federações + mídia + comissões de arbitragens, antes das temporadas, e que penas mais severas sejam aplicadas aos juízes, visto que são soberanos em suas decisões. Que hajam críticas a todo momento, e não uma crítica pontual e discricionário porque é um jogo envolvendo o Corinthians. Que os erros de Vitória x Guarani sejam tão discutidos quanto esse. Que hajam mais jornalistas como o PVC ou o Bertozzi, que sabem tática e estudam o que fazem, e não jornalistas que só sabem elogiar os Santos e Botafogos das décadas de 60, falando do futebol de 50 anos atrás em 15 de cada 20 palavras. Se não gostam de ver os jogos atuais, como muitos deles falam, porque ainda fazem isso da vida??? Aposentem-se, ora, mudem de trabalho, vão catar lixo para ver se dão valor á profissão dos outros também.

No próximo post, falarei de erros pró e contra o Corinthians, mas a lição que fica desse “espetáculo circense” que vimos na mídia esses dias é que, pior que os juízes são aqueles que preferem só falar deles e esquecer o campeonato sensacional que estamos presenciando em 2010, com craques do nível de Conca, Fred, Deco, Montillo, Thiago Ribeiro, Fábio, Ronaldo, Roberto Carlos e Elias, só para ficar com exemplos de alguns jogadores que disputam o título, a 3 rodadas do fim. Como esqueceram que o Corinthians campeão de 2005 tinha Tevez, Nilmar e Mascherano e o Inter, vice, tinha jogadores do nível de Rafael Sóbis e Tinga. Chega de Márcios, Edilsons e Sandros!!! Prefiro ver e discutir sobre novos e atuais Montillos, Concas e Ronaldos.

 

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~ por sergiokid em novembro 17, 2010.

Uma resposta to “Sobre pênaltis e mídia”

  1. A equipe do Corinthians é forte?

    Sim

    Mas porquê tamanho desmerecimento, o time ficou o campeonato inteiro entre os tres 1° não é justo ser Campeão?

    Nao

    Mas Porquê não?

    Porquê hum porquÊ é corinthians.

    Sem mais.

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